X

Para acessar sua conta, use o App Bradesco Universitário

Sobe o som: a volatilidade musical

O cenário musical mudou bastante desde o tempo dos fascinados por Elvis Presley e Beatles nas décadas de 50 e 60.

Para Marcelo Moreira, crítico musical, a era das grandes estrelas está acabando e os gigantes da música envelhecendo. “(Surgiram) Adele, Katy Perry, Beyoncé e outros artistas famosos, mas nem de longe têm a importância de Bowie e Prince, e nem são do tamanho de Rolling Stones, U2, Metallica”, analisa.

Segundo ele, a forma como as pessoas estão consumindo música influencia diretamente o perfil de artistas que estão surgindo. “Mudou a forma como as pessoas ouvem música. Ficou descartável, de fácil acesso, e o mundo digital disseminou o conceito de que quase tudo é de graça. A música perdeu valor agregado; deixaram de saborear música como fazíamos até os anos 90”, acrescenta.

Já para Maurício Gaia, especialista em mídias digitais, a distribuição nas redes tem dado oportunidade a novos personagens. “Tem muita gente talentosa surgindo, e canais como Twitter, Facebook e Instagram acabam fazendo com que os artistas interajam de maneira mais horizontal com os fãs, tornando a relação mais humanizada”, observa.

Programas de TV como The X Factor, The Voice e Ídolos ajudam a formar celebridades instantâneas no cenário musical. “A velocidade com que surgem artistas com algum conteúdo é muito grande, e seu descarte é igualmente rápido”, acredita Moreira.

Na opinião de Gaia, o mercado musical é que precisa evoluir. “O Brasil tem que estruturar o cenário de forma que permita que vários gêneros consigam ter espaço, sem precisar um canibalizar o outro. Nos EUA, o mercado é muito mais maduro, tem espaço para o country, heavy metal, rock, música clássica... Todos faturando bem e criando novos artistas e públicos para cada um destes gêneros”, finaliza.

Por: Margarete Ricciotti