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A moda dos livros para colorir

Antes associada às crianças, a arte de colorir virou febre entre os adultos com a promessa de aliviar o estresse e, acreditam alguns, uma forma de terapia. Mas não é de agora que jardins secretos e florestas encantadas ganham destaque no mundo da psiquiatria. Muitos cientistas e psicólogos realizaram estudos sobre o papel que as cores têm no desenvolvimento psicossocial das pessoas. Um dos estudiosos mais famosos foi Carl G. Jung (1875-1964), que utilizava a pintura de mandalas como recurso para seus pacientes.

No entanto, para a psicoterapeuta cognitiva Adriana Rita Jacob, pintar pode ser indicado como passatempo, não tratamento. “Temos por hábito dizer que tudo que dá a sensação de prazer e relaxamento é terapia, mas não podemos confundir. Quando realizamos alguma atividade em que conseguimos mudar o foco dos nossos pensamentos, conseguimos relaxar”, avalia.

De acordo com a profissional, na terapia cognitiva há uma relação entre pensamento, emoção e comportamento. No caso de uma pessoa inquieta, por exemplo, o livro de colorir poderia ter o efeito contrário ao de relaxamento. “Uma pessoa ansiosa pode ficar preocupada em não fazer perfeito, não borrar, se alguém não vai gostar... Estas questões só aumentam o estresse”, diz.

Adriana também acredita que a associação com a infância vem do prazer que tínhamos em pintar quando criança. “A maioria de nós aprendeu na escola que a hora do desenho era lazer, como se fosse um prêmio depois da lição. Nos remetemos a esse aprendizado quando associamos a pintura ao prazer”. Mas ela faz um alerta. “Não adianta dedicar o tempo à pintura se não ‘desligar’ dos problemas. E isso vale para qualquer atividade”.

Então, fica aqui nossa dica. Ler, escutar música, pintar, bordar, cozinhar, praticar esporte, passear com cachorro, montar quebra-cabeças... Qualquer uma dessas atividades pode servir como tática de relaxamento; cada pessoa tem uma maneira de se desligar do mundo. “Não importa a atividade escolhida, e sim o quanto está focado em sua realização. Seu pensamento comanda”, finaliza a psicoterapeuta.